Tosca - Giacomo Puccini - 1900




Giacomo Puccini
(Lucca, 22 de dezembro de 1858 — Bruxelas, 29 de novembro de 1924)

Tosca

Ópera de Giacomo Puccini.
Libreto de Luigi Illica e Giuseppe Giacosa.
Baseado no drama de Victorien Sardou, La Tosca
Primeira apresentação: 14 de janeiro de 1900 no Teatro Costanzi, Roma 

Ato 3 -E lucevan le stelle


Scena Seconda. Escena Segunda


CAVARADOSSI  CAVARADOSSI
(rimane alquanto pensieroso, quindi  (Permanece pensativo, después, 
si mette a scrivere... ma dopo tracciate  se pone a escribir pero, después 
alcune linee è invaso dalle rimembranze,  de algunas líneas, le invaden los
e si arresta dallo scrivere)  recuerdos, y cesa de escribir)
(pensando)  (pensando


E lucevan le stelle...  Y brillaban las estrellas 
ed olezzava la terra...  y olía la tierra... 
stridea l'uscio dell'orto...  chirriaba la puerta del huerto 
e un passo sfiorava la rena...  y unos pasos hacían florecer la arena... 
Entrava ella, fragrante,  Entraba ella fragante 
mi cadea fra le braccia...  y caía entre mis brazos... 
Oh! dolci baci, o languide carezze,  ¡Oh dulces besos, lánguidas caricias! 
mentr'io fremente  Mientras yo estremecido 
le belle forme disciogliea dai veli!  las bellas formas iba desvelando... 
Svanì per sempre  Para siempre desvanecido 
il sogno mio d'amore...  mi sueño de amor... 
L'ora è fuggita...  Ese tiempo ha acabado... 
E muoio disperato!  ¡y voy a morir desesperado! 
E non ho amato mai tanto la vita!...  ¡Y jamás he amado tanto la vida!


(scoppia in singhiozzi, coprendosi il volto (Rompe en sollozos y se coge la
colle mani. Dalla scala viene Spoletta, cabeza entre las manos. De la
accompagnato dal Sergente e seguito da escalera viene Spoletta acompañado
Tosca: il  Sergente porta una lanterna - por el sargento y seguido de Tosca.
Spoletta accenna a Tosca ove trovasi El sargento lleva una linterna.
Cavaradossi, poi chiama a sé il Carceriere: Spoletta indica a Tosca dónde se
con questi e col Sergente ridiscende, non encuentra Cavaradossi; luego con 
senza aver  prima dato ad una sentinella,  el carcelero y  el sargento baja, 
che sta in fondo, l'ordine di sorvegliare il no sin antes indicar a un centinela
prigioniero) que vigile al prisionero.) 

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Em outubro de 1895, em Florença, Puccini assistiu à famosa atriz francesa, Sarah Bernhardt, em um de seus cavalos-de-batalha, La Tosca, de Victorien Sardou. O então famoso e popular teatrólogo francês escrevera a peça expressamente para ela. Puccini ficou tão decepcionado com a atuação mecânica e sem sentimento de Rarah e, especialmente, com a fria recepção da platéia. Isto porque lhe tinha voltado à cabeça a idéia de musicar a peça.

O mesmo se passara em 1889, quando ele pediu a seu editor, Ricordi, para conseguir os direitos de La Tosca para uma nova ópera. Ricordi o fêz, mas Puccini se interessou por outros assuntos, dos quais resultaram Manon Lescaut e La Bohème. Por seu lado, o editor, depois de ter chamado Luigi Ilica para transformar a peça em um libreto, entregou-o a um compositor de sucesso da época, Alberto Franchetti.

De qualquer modo, o interesse de Puccini pela peça se reacendeu e, em uma manobra de pouca ética, Ricordi, Ilica e Puccini (por trás) convenceram Franchetti a abandonar aquela peça, que seria, com certeza, repelida pelo público, pela sua brutalidade, imoralidade, etc... No dia seguinte, o esboço do librteo estava nas mãos do compositor e Ricordi convocava Giuseppe Giacosa para versificá-lo. E assim Puccini lanóu-se na composiçõao - muitas vezes interrompida por viagens para cuidar de suas óperas - decidido a mudar o rumo de sua música, para provar que podia escrever uma ópera verista melhor do que os seus rivais.

La Tosca é um exemplo perfeito da habilidade de Sardou em construir uma peça de alta teatralidade, na qual a mistura de arte e sexo, política e crime, acrescida de calculadas cenas de grand-guignol de grande efeito - como a tortura de cavaradossi, o quase estupro de Tosca, o assassinato em cena de Scarpia, o pretendido falso fuzilamento e o suicídio de Tosca - explica ter-se tornado uma favorita do público, um público que ainda não conhecia os filmes violentos de nossa televisão atual.

Ilica e Giacosa, pela terceira vez, tiveram que passar pelo inferno das constantes modificações exigidas pelo intransigente compositor. Drasticamente precisaram reduzir os 24 personagens da peça de Sardou e, do mesmo modo, cortaram vários episódios e incontáveis detalhes que diziam respeito àqueles personagens. Foi sob esta nova forma que, entre 1898 e 1899, na villa do conde Mansi, em Monsagrati e em Torre del lago, nasceu a maior parte da ópera.

A preocupação de Puccini com detalhes realistas que pudessem harmonizar-se com sua ópera fizeram-no procurar a ajuda de um frade, don Pietro Panichelli, a respeito de certos detalhes litúrgicos da oração murmurada pelos fiéis no primeiro ato. Panichelli o ajudou não só com exemplos de cantochão para o Te Deum, como também a descobrir a nota exata do campanone de São Pedro.

A preocupação de Puccini com a precisa cor local, melhor dizendo aural, o fez subir ao topo do castelo Sant"Angelo, ao romper do dia, para notar os sons das igrejas vizinhas, anunciando a primeira Ave Maria. Ao poeta Luigi Zanazzo pediu que lhe fornecesse as palavras para o canto do pastorzinho do terceiro ato no estilo da região romana, que não deveriam ter nenhuma ligação com o enredo.

Aos 29 de setembro de 1899, terminou a ópera, estreada em uma noite agitada, com grande sucesso de público, mas reservas da crítica.

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Antecedentes Históricos

Depois de 1798, os revolucionários franceses tiveram de lutar, sob as ordens de Napoleão, contra uma aliança monarquista composta pela Grã-Bretanha, Áustria e Rússia. Os franceses ocuparam Roma e nomearam Cesare Angelotti como Cônsul da “República Romana”. Ferdinando IV, o soberano Bourbon-Habsburg, teve, com sua mulher Maria Carolina (irmã da executada Maria Antonieta), de fugir para Nápoles. Da Sicília organizaram a resistência e suas tropas retomaram Roma, onde o barão Vitellio Scarpia com sua polícia secreta, conseguiu restabelecer a monarquia e derrubar a República. Angelotti foi encarcerado. Em junho de 1800, nas proximidades do lugarejo Marengo travou-se a decisiva batalha entre as tropas francesas e as austríacas, na qual Napoleão derrotou o general austríaco Melas.

Primeiro ato

A história de “Tosca” passa-se em um único dia, 17 de junho 1800, em Roma. Angelotti, fugindo do Castelo de Sant"Ângelo, refugia-se na igreja de Sant"Andréa della Valle. Procura uma chave, que encontra escondida aos pés da estátua da Madonna e, ouvindo passos, entra na capela, como combinado com sua irmã, a marquesa Attavanti. É o sacristão que, pensando que o pintor Mario Cavaradossi tivesse chegado, se surpreende ao não encontrá-lo e ver intacta a cesta com o lanche do pintor. Este entra e mostra o quadro que está pintando. O sacristão reconhece na pintura a misteriosa dama que viu rezando, assiduamente, nos últimos dias (era a marquesa organizando a fuga do irmão, amigo de Cavaradossi). Cavaradossi confessa que a retratou sem que ela o visse. Começa a pintar e compara a efígie de sua amante, a morena Floria Tosca, com o quadro da loura desconhecida. Saindo o sacristão, reaparece Angelotti.

Os dois amigos se reconhecem e Cavaradossi se dispõe a ajudar o fugitivo quando se ouve a voz de Tosca, que encontrou a porta fechada. O pintor dá a Angelotti a cesta e este volta ao seu esconderijo. Entra a ciumenta Tosca, imaginando que a demora em atendê-la se deve ao fato de ali estar outra mulher. Ela veio marcar um encontro com ele depois do espetáculo em que cantará, na vila nos arredores de Roma. Cavaradossi está preocupado e Tosca lembra-lhe os prazeres que terão à noite. Saindo, vê o quadro e, ciumentamente, reconhece a marquesa Attavanti. Cavaradossi conta-lhe a verdade e Tosca sai pedindo a ele que modifique os olhos da Madalena, de azuis para negros.

Angelotti conta que sua irmã, a marquesa, lhe deixou trajes femininos para fugir de Scarpia. Cavaradossi dá-lhe a chave da vila informado-lhe que poderá se esconder no poço do jardim. Ouve-se o canhão do Castelo. Foi descoberta a fuga. O pintor decide, ele mesmo, ajudar o fugitivo. E partem precipitadamente, quando entra o sacristão para anunciar que Bonaparte foi derrotado e que se vai festejar a vitória com um grande Te Deum. Apressa o coro da igreja quando entra Scarpia. Interroga o sacristão e junta os fatos: a capela aberta com um leque da marquesa, o seu retrato feito por um republicano e a cesta vazia.

Volta Tosca para avisar Cavaradossi que não poderá encontrar-se com ele, pois deverá cantar para a rainha, quando é interceptada por Scarpia. Sabendo dos ciúmes da cantora, os atiça, mostrando-lhe o leque. Tosca decide surprender os “amantes”, dando assim uma pista para Scarpia que manda Spoletta segui-la. Scarpia se perde em fantasias de triunfo, de possuir Tosca, por ele cobiçada, e de liquidar seu amante.

Segundo ato

Scarpia, nos seus aposentos no Palazzo Farnese, janta. Manda um bilhete para Tosca. Chega Spoletta, que não encontrou o fugitivo, mas trouxe preso o pintor, pois ele deve saber onde se esconde Angelotti. Scarpia interroga Cavaradossi que nega as acusações. Entra Tosca e o pintor tem apenas tempo para pedir-lhe silêncio antes de ser levado para a tortura. Galantemente, Scarpia procura obter de Tosca a verdade. Depois conta-lhe a verdade: seu amante está sendo torturado. Ao ouvir seus gritos, ela revela o esconderijo. O torturado é trazido, desmaiado. Quando Scarpia manda Spoletta ir ao poço do jardim, o pintor amaldiçoa a traidora Tosca.

Chega a notícia de que Napoleão venceu em Marengo. Cavaradossi festeja a vitória e é arrastado preso para Sant"Ângelo. Tosca é retida à força e convidada a cear com Scarpia. Ela lhe pergunta qual é o preço pela vida do pintor. Scarpia lhe diz que é ela mesma. Ouve-se o rufar dos tambores que levam os prisioneiros ao cadafalso. Tosca se desespera, reza ao Senhor. Entra Spoletta anunciando que Angelotti se suicidara e que Cavaradossi está pronto para a execução. Tosca cede, mas quer o pintor solto. Scarpia diz-lhe que se deve simular o fuzilamento de Cavaradossi com tiros de festim. Os amantes depois poderiam fugir. Quando Scarpia acaba de escrever o salvo-conduto para que os amantes possam sair dos Estados Pontifícios e vai abraçar Tosca, esta lhe planta no coração uma faca. Scarpia morre. Tosca arranca das mãos do morto o salvo-conduto e sai dos aposentos.

Terceiro ato

No Castelo Sant"Ângelo, fortaleza onde mantém prisioneiros, Cavaradossi é trazido e convence o carcereiro, por um anel, a levar o seu último bilhete a Tosca, no qual relembra seus encontros com ela. Chega Tosca e lhe mostra o salvo-conduto. Conta-lhe o homicídio e o pacto com Scarpia. Cavaradossi beija-lhe as mãos e ambos fazem planos para uma futura felicidade. Tosca o instrui como deve fingir frente ao pelotão. Este chega e fuzila o pintor. Quando eles se vão, Tosca descobre a horrenda verdade: Cavaradossi está morto! As balas não eram falsas. Chega Spoletta para prender Tosca, pois o assassinato foi descoberto. Quando vão alcançá-la, ela galga o parapeito e se lança no espaço, desafiando Scarpia.

Texto de autoria de Bruno Furlanetto, extraído do folder da apresentação do Rio em 2003.

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Fontes:
http://www.movimento.com/mostraconteudo.asp?mostra=5&codigo=802
O Livro de Ouro da Ópera - Milton Cross - Ediouro
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