Turandot - Giacomo Puccini - 1926


Giacomo Puccini
(Lucca, 22 de dezembro de 1858 — Bruxelas, 29 de novembro de 1924)

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Turandot

Ópera de Giacomo Puccini.
Libreto de Giuseppe Adami e Renato Simoni.
Baseado numa peça de Carlo Gozzi com a adaptação de Friedrich von Schiller.
Estreou no Teatro Alla Scala em Milão a 25 de abril de 1926
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 Personagens

Altum
     imperador da China   
     Tenor
Princesa Turandot
     filha de Altum
     Soprano
Timur
     rei exilado dos tártaros
     Baixo
Calaf
     filho de Timur
     Tenor
Liù
     escrava de Timur
     Soprano
Ping
     Chanceler
     Barítono
Pang
     Ministro da Dispensa
     Tenor
Pong
     Grande Cozinheiro
     Tenor
Um Mandarim
     Baixo
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Ópera completa
(legendas em português)



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Ato 3 - Nessum Dorma


(Jardín del palacio. Es de noche. Calaf escucha el rumor de las voces de los heraldos que dan a conocer las órdenes reales)


ATTO  III ACTO  III



Scena Prima Escena Primera




CALAF CALAF
Nessun dorma!  ¡Que nadie duerma! 
Nessun dorma! ¡Que nadie duerma!
Tu pure, o principessa, ¡Tú también, princesa,
nella tua fredda stanza en tu fría estancia
guardi le stelle che tremano miras las estrellas que tiemblan
d'amore e di speranza! de amor y de esperanza!
Ma il mio mistero  ¡Mas mi misterio 
è chiuso in me, se encierra en mí,
il nome mio nessun saprà! mi nombre nadie sabrá!
No, no, sulla tua bocca lo dirò, ¡No, no, sobre tu boca lo diré,
quando la luce splenderà! cuando resplandezca la luz!
Ed il mio bacio scoglierà ¡Mi beso deshará
il silenzio che ti fa mia! el silencio que te hace mía!


Dilegua, O Notte! ¡Noche, disípate!
Tramontate, Stelle! ¡Estrellas, ocultaos!
Tramontate, Stelle! ¡Estrellas, ocultaos!
All'alba vincerò! ¡Al alba venceré!
Vincerò! Vincerò! ¡Venceré, venceré!

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Descrição

Puccini estreou sua primeira ópera em 1883, Le Vili, aos 25 anos. A Segunda Edgard foi um fracasso, mas a terceira Manon Lescaut foi um sucesso, que não mais o abandonou. As três seguintes, La Bohème, Tosca e Madame Butterfly lhe puseram o mundo aos pés.

O verismo, movimento artístico italiano de origem francesa, queria o verdadeiro, isto é a arte expressando a realidade do mundo, imitando sons da vida real e por aí afora. A música buscava a simplificação de sua linguagem, totalmente submetida à eficácia teatral e ao efeito cênico, donde melodias fáceis e ritmos nervosos.

O movimento explodiu com Cavalleria rusticana, mas, em 1920, estava esgotado. Puccini acompanhava a evolução do mundo, onde havia agora vozes diferentes: Debussy, Ravel, Strauss, o genial Stravinsky e, do outro lado do Atlântico, o fascinante Jazz.

Em 1919, Puccini procurava assunto para uma nova ópera e foi-lhe sugerida a peça de Carlo Gozzi, chamada Turandotte, que o compositor leu na adaptação que Schiller havia feito em 1803, para o Teatro de Weimar. O libreto ficou pronto em 1920 e Puccini já compunha, ajudado, para dar exotismo à ópera, por exemplos musicais chineses, fornecidos pela Ricordi e pelo British Museum.

O equivalente italiano do dueto de Tristão e isolda desesperava Puccini, que lutava também contra um câncer na garganta, que o matou em 1924, deixando a ópera inacabada e uns poucos esboços para o dueto. Por sugestão de Toscanini, estes foram dados a Franco Alfano, que completou a ópera, mas na estréia (1926) o maestro parou a ópera onde Puccini havia terminado. O final de Alfano foi depois executado e publicado, mas Toscanini fez-lhe cortes e esta segunda versão, amputada, é que é levada nos teatros. É bem verdade que alguns estão hoje voltando à versão completa de Alfano.

Ópera-testamento, Turandot mostra o autor fiel aos seus princípios, escondendo sob os refinamentos da politonalidade, da harmonia e da orquestração, as mais cuidadas que havia feito, a preocupaçãao de "fazer contra tudo e todos, uma ópera de melodia." Isto é, uma obra que conserva o privilégio da voz humana, ao mesmo tempo que dá à orquestra todas as aquisições de sua geração.

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Enredo

A Princesa Turandot, filha do Imperador Altum da China, odeia todos os homens, e jura que jamais se entregará a nenhum deles; isto devido a um fato ocorrido na família imperial que a traumatizou para sempre: o estupro e assassinato da princesa Lo-u-Ling, quando os tártaros invadiram e conquistaram a China. Seu pai, porém, exige que ela se case, por razões dinásticas, e para respeitar as tradições chinesas. A princesa concorda; porém, com uma condição: ela proporá três enigmas a todos os candidatos, que arriscarão a própria cabeça se não acertarem todos os três, e somente se casará com aquele que decifrar todas as três duríssimas charadas. A crueldade e frieza da princesa não fazem mais do que atiçar a paixão do Príncipe Desconhecido, filho do deposto rei dos tártaros, que decide arriscar a própria vida para conseguir a mão da orgulhosa princesa. Ele consegue, após a derrota de todos os outros candidatos, até porque é o único que compartilha da natureza sádica e egoísta da princesa, sendo capaz de entendê-la.

Ato I

Pequim. Um arauto do governo imperial anuncia à multidão, reunida na Praça da Paz Celestial, o decreto do imperador Altum: a Princesa Turandot desposará aquele que, de sangue real, decifre os três enigmas que ela proporá. Aquele que se arriscar, porém, e fracassar, pagará com a vida. O Príncipe da Pérsia acaba de tentar, mas não teve sorte: será executado ao nascer da lua. A multidão mal pode esperar para ter o prazer de assistir à execução (Perchè tarda la luna?). No meio dessa turba ensandecida está o velho Timur, incógnito príncipe destronado dos tártaros, e sua fiel servidora Liù. O Príncipe Desconhecido, filho de Timur, exulta de alegria ao reencontrar seu pai, que julgava morto. A lua surge no céu. Aparece o Príncipe da Pérsia a caminho do patíbulo; longe de parecer assustado diante da morte, ele parece estar num êxtase místico, embriagado pela beleza de Turandot. Aqui a princesa entra em cena pela primeira vez. Tomados de compaixão pelo jovem príncipe, todos suplicam-lhe por clemência; mas, ao invés, sem hesitar um só segundo, num gesto imperioso, frio, e cruel, ela dá o sinal ao carrasco que faz descer o machado no pescoço do príncipe. É neste exato momento que o Príncipe Desconhecido se apaixona por Turandot, e anuncia sua intenção de se candidatar à mão da princesa. Todos tentam demovê-lo da idéia: seu pai, os três ministros imperiais Ping, Pang e Pong, e Liù que, numa comovente ária, Signore ascolta, confessa que está apaixonada pelo príncipe desde o dia em que pela primeira vez o viu sorrir no palácio real. O Príncipe responde pedindo-lhe que nunca deixe de tomar conta de seu velho pai, se ele vier a faltar (Non piangere Liù). Aos gritos gerais de louco! insensato! o que estás fazendo? - o príncipe toma do martelo, e dá três golpes no gongo, sinal de que está se candidatando à mão de Turandot.

Ato II

Os três ministros Ping, Pang e Pong discutem o destino da China, e comentam que, desde que Turandot começou a reinar, ninguém mais tem paz no Celeste Império: o machado e os instrumentos de tortura funcionam noite e dia. Monta-se a cena diante do Palácio Imperial para a cerimônia dos enigmas. Surge em cena o velho imperador Altum, que tenta convencer o jovem pretendente a desistir: "Permite, meu filho, que eu possa morrer sem levar para o túmulo essa culpa pela tua jovem vida, muito sangue já correu!" Mas é tudo em vão, a obstinação do jovem Príncipe Desconhecido deixa todos estupefatos. Surge Turandot, que olha o candidato com olhar frio, impassível, e cheio de desdém. Sua voz se faz soar pela primeira vez: "Neste palácio (In questa Reggia), já faz mais de mil anos, um grito desesperado ressoou; e aquele grito, da flor da minha estirpe, um eco eterno na minh'alma deixou. Princesa Lo-u-Ling!… Há séculos ela dorme na sua tumba enorme! Estrangeiro, desiste! Os enigmas são três, a morte é uma." Tendo o príncipe recusado sua última chance de escapar ileso, Turandot expõe seu primeiro enigma. "Qual é o fantasma que nasce todas as noites, apenas para morrer quando chega a manhã?" "É a esperança," responde o príncipe. Os três sábios do reino consultam o livro das respostas: primeira resposta, correta. Turandot, por um breve momento, parece ter sentido um choque, mas não se deixa abater, e diz cheia de escárnio: "Sim! A esperança que ilude sempre!" Impassível, ela propõe o segundo enigma: "O que é vermelho e quente como a chama, mas não é chama?" "O sangue," responde o príncipe. Os sábios consultam seus livros: a segunda resposta também está correta. Agora, Turandot parece ter perdido um pouco a compostura, mas se convence de que nem tudo está perdido. Vem o terceiro enigma: "Qual é o gelo que te faz pegar fogo?" "Turandot." "Turandot! Turandot!" gritam os sábios em coro. Resposta correta! Agora, o desespero toma conta de Turandot, que se atira nos braços do pai: "Pai, não me obrigue a entregar-me a este estrangeiro!" Mas seu pai lhe responde que nada pode fazer: o juramento é sagrado. O Príncipe Desconhecido, porém, afirma que não quer ter Turandot contra a vontade da princesa. Ele propõe-lhe, então, um único enigma; se ela responder corretamente, ele desiste dos seus direitos, e entrega sua cabeça ao carrasco. "Tens até a aurora," diz ele, "para descobrir meu nome."

Ato III

Funcionários públicos percorrem as ruas de Pequim com lanternas acesas. Numa ditadura perfeita, onde ela tem poderes ilimitados, Turandot ordenou que ninguém durma esta noite em Pequim: todos devem ajudar a descobrir o nome do Príncipe Desconhecido. É então que o príncipe canta a celebérrima ária Nessun dorma (Que ninguém durma). Os três ministros Ping, Pang e Pong tentam fazer de tudo para convencer o jovem a desistir, oferecendo-lhe lindas mulheres, riquezas, e um visto de saída da China - mas tudo em vão. De repente, alguém se lembra de que viu o jovem príncipe em companhia de Liù e do velho. Turandot ordena que Liù seja torturada, até que revele o nome do príncipe; ela morre sem dizer uma palavra, numa das mortes mais comoventes de todas as óperas. O dia nasce com o velho chorando sobre o cadáver de Liù. "Liù, bondade! Liù, doçura! Liù, poesia!". Calaf, o principe desconhecido vê Turandot, ela pede que todos saiam e tem um duo com ele (este já composto por Franco Alfano) em que ela se revela humilde. Calaf conta qual é o seu nome, e os guardas chegam; Turandot restaura seu orgulho, mas na hora de falar qual é o nome de Calaf ela fala que o nome dele é "Amor".

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Fontes:
http://www.movimento.com/mostraconteudo.asp?mostra=5&codigo=558
http://www.youtube.com/watch?v=CrJC7l5Pn-k&feature=related
http://www.supercable.es/~ealmagro/kareol/obras/turandot/acto3.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Turandot
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